1915
Nasce em 2 de dezembro, na Fazenda Santa Rita, em Patos de Minas (MG). Aprende a falar com a mãe, dona Sinhana: “foi ela que me ensinou a falar como falo”.
Obras Completas · Editora UFG
Escrever o sertão, defender a terra.
Lavrador, carpinteiro, jornalista, dentista de ribeirinhos e um dos maiores prosadores do século XX. Antes do ambientalismo virar pauta mundial, ele já gritava contra a devastação do cerrado.
25.11
Lançamento dos três primeiros títulos de uma coleção de 20 livros, depois de décadas fora de catálogo.
Quem foi
Contos, romances, crônicas e memórias fizeram parte do repertório do mineiro de nascença e goiano de vivência, Carmo Bernardes (1915–1996). Nascido em Patos de Minas, chegou a Formosa (GO) aos cinco anos e viveu na roça até os trinta, ao lado do pai, como lavrador, carpinteiro e boiadeiro.
Alfabetizado em casa pela mãe, dona Sinhana, uma grande leitora, levou para a literatura a fala do povo do campo, como escolha estética e política. Retratou o sertanejo como ele é, contra o estereótipo do Jeca Tatu que o incomodava desde criança.
Já em 1945 alertava fazendeiros sobre erosão, assoreamento dos rios e a importância das matas ciliares. Décadas antes do socioambientalismo, entendia natureza e gente como uma coisa só.
“Quando é preciso, tempero a língua no falar oficial, mas, particularmente, só falo e conto meus casos conforme a velha me ensinou.”
Série em vídeo
Parte 1
Escrever o Sertão
Estreia em 05/11
Vídeo em breve
Estreia em 05/11
Com depoimentos de Hamilton Carneiro, Marlon Salomon, Ana do Carmo, Pedro Novaes, Edival Lourenço, Lêda Selma.
“Embirrei e não renunciei, nem mesmo a poder de palmatórias, o repertório oral que dona Sinhana me ensinou. […] Sou filho da brabeza, é bobagem eu querer negar minha raça.”
Vida Mundo — apresentação
“O Carmo mostra o sertanejo legítimo, né, valorizado, seja na obra de ficção, seja buscando conhecimentos, vivências, ele sempre foi coerente com o sertanejo.”
“Ela lia todos os dias. Invariavelmente. Eu nunca vi minha vó deitar sem ler, que era um hábito que meu pai pegou dela também.”
“Ele é muito honesto e muito fiel com a linguagem do homem do campo. […] Parece aquela prosa assim, que você encosta no balcão, pede um pedaço de fumo, uma dose de pinga, um cigarro e começa a conversar com o outro.”
Linha do tempo
1915
Nasce em 2 de dezembro, na Fazenda Santa Rita, em Patos de Minas (MG). Aprende a falar com a mãe, dona Sinhana: “foi ela que me ensinou a falar como falo”.
1945
Palestra a fazendeiros sobre erosão e matas ciliares. Aos 30 anos, deixa a roça para Anápolis e começa no jornalismo, no semanário A Luta. Passa a frequentar o Araguaia.
1966
Publica Vida Mundo. O Cruzeiro o compara a Guimarães Rosa “pela força de expressão e espontaneidade da linguagem”.
1991
Recebe o Prêmio Casa de las Américas por A ressurreição de um caçador de gatos. Publica Perpetinha pela Editora UFG.
2026
A Editora UFG lança as Obras Completas, em 20 volumes. Os três primeiros chegam em 25 de novembro.
Baseado na biobibliografia organizada por Marlon Salomon.
Títulos inaugurais

Contos · 1ª ed. 1966
O livro de estreia, publicado aos 50 anos. Contos que o próprio Carmo reconhecia como o mais importante de sua obra, escritos no repertório oral que aprendeu com a mãe, dona Sinhana — a fala do sertanejo levada ao papel sem caricatura.
Em breve
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Ensaio e prosa de natureza · 1ª ed. 1994
Descrição profunda e quase científica do Araguaia, de sua fauna, flora e gente, e denúncia da devastação que o destruía. “Não é o livro de você ler, é um livro de você estudar”, diz Hamilton Carneiro.
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Contos e outras prosas · 1ª ed. 1991
Premiado pela Casa de las Américas, em Cuba, como melhor livro da América Latina. Para Lêdo Ivo, jurado do prêmio, “da melhor qualidade, só comparável ao Sagarana de Guimarães Rosa”.
Em breve
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